quarta-feira, 28 de julho de 2010

ALUNOS DAS 8.ª SÉRIES (2010): Crônica reflexiva

A crônica reflexiva é aquela cujo autor projeta sua interioridade sobre a realidade que está a sua volta, interpretando-a e registrando-a através de conjecturas, inferências e associações de ideias. 
EXEMPLOS:

TEXTO 1: VITÓRIA NOSSA
O que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia?
Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos ser tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos, nem aos outros. Não temos nenhuma alegria que tenha sido catalogada. Temos construído catedrais e ficado do lado de fora, pois as catedrais que nós mesmos construímos tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e talvez sem consolo. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro que por amor diga: teu medo. Temos organizado associações de pavor sorridente, onde se serve a bebida com soda. Temos procurado salvar-nos, mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de sermos inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de amor e de ódio. Temos mantido em segredo a nossa morte. Temos feito arte por não sabermos como é a outra coisa. Temos disfarçado com amor a nossa indiferença, disfarçando nossa indiferença com angústia, disfarçando com o pequeno medo o grande medo maior. Não temos adorado, por termos a sensata mesquinhez de lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sidos ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer “pelo menos não fui tolo”, e assim não chorarmos antes de apagar a luz. Temos tido a certeza de que eu também e vocês todos também, e por isso todos nem sabem se amam. Temo sorrido em público do que não sorrimos quando ficamos sozinhos. Temos chamado de franqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso temos considerado a vitória nossa de cada dia... 
(Clarice Lispector) 

Vitória nossa, de Clarisse Lispector é uma obra de reflexão que revela os questionamentos e anseios dos homens. Utiliza uma linguagem que busca nas áreas mais profundas do inconsciente, onde encontram-se os arquétipos do comportamento humano, os desejos e medos, trazidos à tona por uma visão metafórica que interpreta estados de alma.

TEXTO 2: PARÁBOLAS DO PODER
Ora, existia ali, acuado naquele último canto dos palácios, um homem, longilíneo, gelado e melancólico. Todos os dias explodia em fulgores e troares, um quê por necessidade essencial de mando — o mais por impulso visceral de alimentar o medo. Quando caminhava era a um passo rápido do nada, olho no olho da atração do abismo, salvaguardado apenas pelo magnetismo sem par do próprio umbigo. E esse homem, concordantemente, tinha por nome insânia. Mas, por adulação, muitos o chamavam de critério.
(SOARES, Jô; VERÍSSIMO, Luís Fernando; FERNANDES, Millôr. Humor nos tempos do Collor. 12. ed. Porto Alegre : LPM, 1992. p. 86.)

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O Aluno (por ele mesmo)

O aluno não copia: compara resultados.O aluno não fala: troca opinões.O aluno não dorme: se concentra.O aluno não se distrai: examina as moscas.O aluno não falta na escola: é solicitado em outros lugares.O aluno não diz besteiras: desabafa.O aluno não masca chiclete: fortalece a mandíbula.O aluno não lê revistas na sala: se informa.O aluno não destrói o colégio: decora a escola segundo seu gosto.
(BRINCADEIRINHA!!!!!!!!)